Seguidores

Em homenagem à Jurema

Em homenagem à Jurema
Caminhada de Terreiros em 2009

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Aos que ocultamente criticaram o texto de forma até covarde, respondo que serei pertinaz em defesa da jurema, pois exponho um pensamento coletivo de juremeiros(as)que se cansaram de serem humilhados,por um grupo que quando não entram na liturgia da jurema pra descaracterizá-la, acham-se superiores por serem de candomblé  onde fazem da jurema  a lata de lixo deles, usando inclusive suas aptidões sexuais para compor um cenário litúrgico,que nada tem haver com religião. Vemos isso até na ala eclesiástica, provocando uma desmoralização sacerdotal sem procedentes. Temos que além de falar de africaneidade e liturgia (candomblé) falar de indigeneidade e liturgia (pajelança-jurema), de forma que não posso acreditar que o povo negro que tanto sofreu e sofre por intolerância, a faça usar contra a jurema.

CANIBALISMO LITURGICO! Além de pessoas sem escrúpulos  agirem descaracterizando a jurema, ainda existem aqueles que querem lhe impor conceitos de liturgia "deferente". Umbanda é umbanda, jurema é jurema. Jurema é chapéu, cachimbo, flecha, maracá, raízes, cipós...nada de decorativos com búzios, torços gigantescos... e sim; cocares, penachos;  já não  bastasse a igreja que a todo custo nos impõe o cristianismo de forma destrutiva para nossa cultura (que não de agora). 
Acreditem; Mussolini fez pra Etiópia o que a igreja fez para nossa cultura. Acho interessante um visão feita por Joseph  Ki-Zerbo à J. Mackenzie no livro História da África de 1887: “Como observava J. Mackenzie já em 1887, referindo-se aos Tsuana (Botsuana), quantos povos da África são conhecidos por nomes que eles próprios ou quaisquer outras populações Africanas jamais utilizaram! Esses povos passaram pelas pias batismais da colonização e saíram consagrados à alienação”; fazendo com que o passado da África fosse confinado a uma espécie de pré - história desonrosa. Na VERDADE, preto velho é umbanda, pomba gira é umbanda originária de esú angolano. Faço esse comentário num prisma que outrora foi usado pela igreja e hoje é usado por embusteiros de uma forma mais moderna: ENTRAR,USAR E DESTRUIR SUA CULTURA EM PROL DA MINHA, E  AINDA NESSA TURBAMULTA COMO MOTE, TENTAR DESQUALIFICAR OU SATANIZAR (MELHOR DIZENDO) NOSSA RELIGIÃO.
 TEMOS QUE TER LUCIDEZ,COMPROMISSO E UMA OPOSIÇÃO QUALIFICADA PRA TUDO ISSO.

DO ESTADO LÁICO; Vejo de forma preocupante o comportamento do Estado diante das religiões. É interessante ressaltar  um calendário judaico-cristão à qual obedecemos. O Estado se mostra bastante tendencioso. Para isso, basta observar nomes de hospitais, ruas, escolas, praças, avenidas...Alguém conhece nome de universidades públicas, hospitais, praças ou avenidas postadas com nomes de Juremeiros, Babalorisàs ou Yalorisàs em mesmas quantidades? Vestibulares que não são feitos aos sábados por conta de um seguimento religioso que não é o nosso; isso é ser láico? Alguém pode dizer? Órgãos públicos que alguns usam como "cabides de emprego" são máquinas que o o Estado possui de nos monitorar; órgãos esses que deveriam ajudar a nossa cultura e religião,  não pagando o refrigerante do evento, porém  sim colocando políticas públicas realmente voltadas a nossa valorização. O Estado dá uma demonstração explícita de tendência religiosa quando por vezes em cerimônias dos mesmos,  Padres, Pastores, Rabinos se fazem  presentes, e os Babalorisàs, Yalorisàs, Juremeiros??? Nem se quer são convidados. Concessão de rádios  e Tvs são dados pelo Estado aos cristãos em detrimento de nós (candomblé, jurema, ciganos...)e nada é feito contra isso. Até do Supremo Tribunal Federal, órgão máximo da justiça no nosso país, somos indeferidos, por ora; no caso das células-tronco, alguém viu um juremeiro ou uma yálorisà ser convidado para os debates?
O Estado nos impõe uma demanda, que temos que ter qualificação e competência para responder.  

PONTO DE AGREGAÇÃO-INDIO E NEGRO; Nosso rei Malunguinho, rei da jurema, líder quilombola, que falava a língua de seu povo, até tão pouco tempo ocultado pela historiografia,  sobreviveu nos terreiros de jurema e hoje se mostra um dos maiores representantes desse povo excluído, desqualificado pelo Estado e hoje reconhecido pelo mesmo. Essas são observações que faço não de forma individual, mas no coletivo, a visibilidade que quero é a da jurema enquanto liturgia e respeito como qualquer cultura.
Em minha postura sacerdotal posso afirmar tudo isso;

Somos sérios e qualificados pra defender a jurema.


São páginas que merecem ser lidas.